Viajei um pouco pelo mundo, e descobri que a paz mora no meu coração, e todo o mundo está aqui dentro, todas as trilhas, cavernas, invernos e verões.
Senti o frio das águas da montanha, o calor de pleno dia, o céu tão grande brilhante, e silencioso. E aprendi que a vida é feita de extremos, aprendi a viver cada dia com suas vicissitudes, sem dizer que está bom ou ruim, ver momentos que se sucedem, em que um depende do outro, e dentro de cada instante há possibilidades de fazer algo, seja para fugir do calor, ou para proteger-se do frio.
Vi insetos tão maravilhosos, e pensei - quanta falta de sensibilidade a nossa, espreme-los com uma sapatada!
Voltei para a cidade, vi o cinza, pessoas aos montes, fumaça, feiúra. Caminhei e entrei num museu de arte contemporânea, ali vi a criatividade humana transbordar.
Convidada para uma festa com gente da high society, vi a intensidade da carne, do beber, do comer, do transar. E entendi que diante da luta que é viver, o homem preenche sua dor ao gozar.
Estou de volta ao meu consultório, onde sinto-me de alguma forma parte de um todo, ao me deparar com a totalidade de cada ser, e ali ajudá-lo ao reconhcer seu valor, sua dor, suas vontades, medos, seu pecados e virtudes…
E diante desse outro eu sinto tanta dor e tanto amor…
Volto cansada, para o céu brilhante, para as duras rochas da cachoeira, para a areia quente do mar azul.